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O Nascimento da Noite

on 16 de junho de 2009


O nascimento da noite

Antigamente, o Sol brilhava continuamente e ninguém sabia o que era noite. E, os homens e os animais, viviam juntos e falavam a mesma língua. Um jovem guerreiro apaixonou-se por Moiaçu, filha de Mboiguaçu, a cobra grande. Logo depois, porém, surgiu um problema. A moça não conseguia dormir e tinha um ar triste e cansado. Julgando que o barulho dos seus criados e a incomodava, o rapaz mandou-os a floresta. Mesmo assim, Moiaçu, a moça cobra, não podia repousar. “Não é noite!” , dizia ela. “Nunca é noite! É sempre dia claro!”, respondia ele. “Meu pai tem a noite. “ O moço chamou os servos e enviou-os à casa do sogro buscar a noite. Os três índios fizeram fogo e colocaram-no em cima de algumas pedras e fim de poder transportá-la na canoa. Assim poderiam aquecer-se e cozinhar a comida. Empurraram a canoa para o rio e deslizaram pela corrente. Quando chegaram, a cobra grande entregou-lhes um caroço de tucumã e advertiu-os: “se abrirem o coco de tucumã, tudo ficará diferente.” Os criados começaram a voltar, remando rio acima. De dentro do caroço saíam sons esquisitos, de sapos, de grilos, corujas, e os ruídos da noite. Ficavam cada vez mais curiosos, mas tinham medo de abrir o coco. Finalmente, não resistiram. O caroço era fechado por um poço de breu. Derreteram-ne no fogareiro. De repente, tudo escureceu. A noite tinha fugido. Os pescadores virarm patos, o cesto transformou-se numa onça, todas as coisas mudaram. Lá na taba, Moiaçu, percebeu o que acontecera e avisou o marido: “eles deixaram a noite escapar. Vamos esperar o amanhecer.” Ao romper a aurora, no dia seguinte, Moiaçu disse ao marido: “vou separar o dia da noite.” Tomou o fio e fez cujubim(jacutinga, ave da Amazônia). Pintou sua crista de branco com tabatinga (barro branco) e as pernas de vermelho com urucum . soltou-o, andando-o cantar toda a vez que o Sol viesse aparecendo. Com outro fio sujo de cinza, fez o inhambu (ave). Ordenou-lhe que cantasse as horas durante a noite. Por sua desobediência, castigou os criados transformando-os em macacos. É por isso, que os macacos têm os beiços pretos e um risco amarelo nos braços. É o breu derretido que escorreu sobre eles, quando abriram o coco de tucumã.

Distribua um coco tucumã para cada aluno e após contar a história peça que eles desenhem dentro do coco os bichos da noite. Em seguida peça que eles dêem outro fim a lenda da noite.

1 comentários:

Anônimo disse...

Linda história. Imagino-a contada ao redor da fogueira, À NOITE! com todo os sons da noite.

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